Coleção de Vinil

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Discografia 07 | Unplugged (1992) - Eric Clapton (Discografia)

Ano: 1992
Gravadora: Reprise Records
Gênero: Blues, Hard Rock, Rock Psicodélico e Reggae.
Valor: R$ 80,00
Estado da capa*****
Estado do vinil*****
Estado do encarte: não possui
Qualidade do som*****
Avaliação do álbum*****
Obs: o álbum não está a venda.

Eric Clapton é com certeza um dos maiores guitarristas de Rock/Blues de todos os tempos, sempre genial nos improvisos e mestre em técnica,  solos e riffs clássicos, já não precisa provar mais nada para ninguém há muito tempo.  Nesse ano, Clapton comemora  50 anos de carreira e acaba de lançar seu mais novo trabalho de estúdio completamente pessoal intitulado “Old sock”.
No post discografia de hoje vou um pouco da carreira desse cantor, guitarrista e compositor magnífico, destacando os principais pontos desse meio século além de comentar um pouco sobre meu álbum favorito, o "Unplugged” de  1992.
Eric Patrick Clapton nasceu em Ripley, na Inglaterra efoi criado pelos avós, Rose e Jack Clapp.
Em 1944, o sul da Inglaterra foi inundado pelas tropas americana e canadense. Assim, a exemplo de muitas cidades inglesas, Ripley foi povoada.
Patrícia, aos quinze anos teve um caso com pai Eduardo Fryer, um aviador americano. Em 1945, Clapton nasceu "em segredo" e foi criado pelos avós como filho, pois era muito complicado para a Patrícia criar sozinha o filho. Ele acreditou até os nove anos de idade que seus avós eram realmente seus pais, sem saber que a irmã mais velha até então, era a sua mãe verdadeira.
Essa revelação marcou a infância de Clapton. A família melindrava em torno dos fatos sobre a sua origem, em uma comunidade rural onde todos se conheciam e "(...) as escolhas definidas dentro da família sobre como lidar com as minhas circunstâncias, e eu não era colocado a par de nenhuma delas (...)".
Essa descoberta tornou-o fechado em si mesmo, além de não ter permissão para falar sobre o assunto: "Eu observava o código de segredo que existia na casa". Depois disso, Eric teve dificuldades nos estudos e tornou-se um garoto calado, tímido, solitário e distante da família. Na escola, o assunto que mais o interessava era a arte, e era comum ser repreendido em aula por ter os livros repletos de desenhos.
Iniciou os primeiros estudos na Escola Primária da Igreja Anglicana de Ripley. Durante a catequese ouviu pela primeira vez os cânticos ingleses, entre eles Jesus Bids Us Shine, o seu favorito. Desde então, a música o distraía da realidade. Uma paixão que, no decorrer dos anos, passou a ser essencial em sua vida. O seu primeiro instrumento, a flauta doce, lhe proporcionou um prêmio ao tocar Greensleeves. Além disso, Eric foi criado em uma família musical. Sua avó tocava piano e seu tio e a mãe gostava de ouvir os sons das grandes bandas.
Foto: http://www.ericclapton.com
Apesar do ambiente confuso em casa, Eric Clapton se considerava um garoto de sorte sob o aspecto de que o ambiente rural na comunidade de Ripley proporcionava um mundo repleto de fantasias na companhia dos amigos e vizinhos, Guy, Stuart e Gordon.
Em 1958, Rock and Roll explodiu para o mundo e em seu aniversário de 13 anos, Eric pediu um violão.
Trabalhando como carteiro, aos treze anos de idade, ganhou seu primeiro violão da avó, Rose. Apesar da dificuldade inicial com o instrumento, influenciado por canções antigas de Blues e com um pequeno gravador, Eric se esforçava para aprender até o ponto em que estivesse tocando igual aos artistas originais. Isso ajudou-o a desenvolver sua técnica e, em pouco tempo conseguiu dominar o instrumento.
Foto: www.60if.proboards.com
Ao completar o ensino básico, em 1962, Clapton fez um ano introdutório na Kingston School of Art, mas não concluiu o curso. Em janeiro de 1963, indicado pela sua colega no curso de artes e namorada do guitarrista Tom McGuinness, ingressou na banda The Roosters. Seus ensaios eram no andar de cima de um bar e a guitarra, o teclado e o vocal iam no mesmo amplificador, pois não tinham muitos recursos. Chegaram a fazer algumas apresentações e Eric permaneceu na banda até agosto do mesmo ano.
Ainda em 1963, passou a integrar a banda Yardbirds, que começava a fazer sucesso na Grã-Bretanha. O empresário da banda e grande entusiasta do Blues chamava-se Giorgio Gomelsky. Giorgio tinha aberto um lugar chamado CrawDaddy Club, no velho Station Hotel, em Richmond. A banda que tocava no local nas noites de domingo era a recém-formada Rolling Stones. Lá Eric conheceu Mick, Keith e Brian em seu período de gestação, quando tocavam apenas R&B. Entrou na banda Yardbirds depois de ser alertado por seu então amigo Keith Richards de que o guitarrista Topham estava prestes a desistir da banda. Com o passar do tempo, os Yardbirds foram alternando seu estilo para o ritmo Pop, o que desagradava a Eric. Sendo assim, fiel às suas raízes no Blues, recusou-se a seguir a direção escolhida pelo grupo e acabou saindo em março de 1965.
Foto: www.hqrock.wordpress.com
Após a saída de Clapton a banda ainda teria mais 2 grandes guitarristas como integrantes, sendo o primeiro Jeff Beck e Jimmy Page. Depois de um tempo em empregos temporários, Eric entrou para a John Mayall & the Bluesbreakers, estabelecendo seu nome como músico de blues e inspirando o fanatismo de jovens que pixavam Londres com a inscrição "Clapton is God" ("Clapton é Deus") por toda parte.
Ele largou os Bluesbreakers em 1966 e então formou o Cream (nome designado por Eric), um dos primeiros "power trios" do rock, com seus amigos Jack Bruce e Ginger Baker. Estes eram seus amigos de festas que aconteciam em suas casas, nas quais era comum que todos bebessem e fumassem quantidades maciças de droga, enquanto escutavam sons de Blues. Clapton e esses amigos se tornaram tão próximos que resolveram formar um grupo, já que tinham os gostos semelhantes. Foi nessa época que Eric começou a desenvolver-se como cantor, embora Bruce, um dos melhores vocalistas do rock, fizesse a maioria dos vocais. Eles gravaram 4 álbuns fabulosos: Fresh Cream (1966), Disraeli Gears (1967), Wheels of Fire (1968) e Goodbye (1969).
A música do Cream inclui canções baseadas em Blues tradicionais, como "Crossroads" e "Spoonful", e Blues modernos como "Born Under a Bad Sign", assim como canções mais excêntricas, tais como "Strange Brew", "Tales of Brave Ulysses" e "Toad". Os maiores singles do Cream foram "I Feel Free", "Sunshine of Your Love", "White Room", "Crossroads"  and "Badge". (Ver post Nostalgia do filme "Crossroads - a encruzilhada")




No final de 1966, o status de Clapton como melhor guitarrista da Grã-Bretanha foi abalado com a chegada de Jimi Hendrix. Hendrix compareceu a uma das primeiras apresentações do Cream, no London Polytechnic em 1 de outubro de 1966, e tocou uma jam com a banda durante "Killing Floor". O líder de Cream ficou chocado ao ver as extrovertidas e irreverentes brincadeiras que Jimi fazia durante a apresentação. Nunca havia visto algo parecido. Eric imediatamente percebeu que havia ganho um imbatível adversário, cujo carisma era igualado somente por sua incrível técnica na guitarra. Os primeiros shows de Hendrix no Reino Unido foram assistidos pela maioria dos astros da música britânica, incluindo Clapton, Pete Townshend e os Beatles. A chegada do americano teria um impacto profundo e imediato na próxima etapa da carreira de Clapton. O público só pensava no recém-chegado americano Hendrix.
Embora o Cream seja apresentado como um dos melhores grupos de sua geração, a banda teve vida curta. As lendárias brigas internas - especialmente entre Bruce e Baker - aumentaram a tensão entre os três integrantes, levando ao fim do trio. Outro fator significante foi uma crítica pesada da revista Rolling Stone de um dos shows do Cream, que afetou Clapton profundamente.
Goodbye, álbum de despedida da banda, apresentava faixas ao vivo gravadas no Royal Albert Hall, assim como a versão de estúdio de "Badge", composta por Eric e George Harrison.


A amizade próxima dos dois resultou na performance de Clapton em "While My Guitar Gently Weeps", lançada no White Album dos Beatles. Ao acompanhar de perto o sofrimento da esposa de Harrison, Pattie Boyd, que vivia abandonada em razão do interesse do marido pela cultura hindu, Eric acabou se apaixonando. E o sofrimento por amar a mulher de seu melhor amigo o inspiraria a compor uma das suas canções mais conhecidas: "Layla".


Uma segunda participação em outro super grupo, o Blind Faith (1969), com Baker, Steve Winwood e Rick Grech, resultou em um álbum e uma turnê norte-americana. Já aí Clapton estava cansado de sua fama e do burburinho que cercava o Cream e o Blind Faith, além de ter ficado profundamente afetado pela música do The Band – com o qual de fato ele já havia pedido para se juntar depois do fim do Cream. Clapton então decidiu ficar um pouco nas sombras e passou a viajar em turnê como convidado do grupo americano Delaney and Bonnie and Friends. Ele tornou-se amigo íntimo de Delaney Bramlett, que o encorajou a voltar a compor e a cantar.
Usando a banda de apoio de Bramletts e um elenco estelar de músicos de estúdio, Clapton lançou seu primeiro disco solo em 1970, que trazia uma de suas melhores composições: "Let It Rain".


Se apropriando da seção rítmica do Delaney and Bonnie – Bobby Whitlock (teclado, vocais), Carl Radle (baixo) e Jim Gordon (bateria) – ele formou uma nova banda com a intenção de contrastar com o culto de "estrelismo" que crescera a sua volta e mostrar Clapton como um integrante no mesmo patamar dos demais. Isto tornou-se ainda mais evidente com a escolha do nome – Derek and the Dominos – que veio de uma piada nos bastidores do primeiro show da banda.
Trabalhando no Criterion Studios em Miami,com o produtor Tom Dowd, a banda gravou um brilhante álbum duplo, hoje em dia considerado como a obra-prima de Clapton: Layla and Other Assorted Love Songs. A maioria do material, incluindo a faixa título, foram inspirados pelo conto árabe Majnun e Layla e mostravam o grande amor não declarado de Clapton por Patti Harrison. "Layla" foi gravada em duas sessões distintas; a seção de abertura na guitarra foi gravada primeiro, e para a segunda seção, o baterista Jim Gordon compôs e tocou o elegante trecho ao piano.
Mas a tragédia marcou o grupo durante sua breve carreira. Durante as sessões, Clapton ficou devastado com a notícia da morte de Jimi Hendrix; a banda gravou uma versão tocante de "Little Wing" como um tributo a ele, adicionando-a ao álbum. Um ano depois, Duane Allman morreu em um acidente de motocicleta. Contribuindo mais para o sofrimento de Clapton, o álbum Layla receberia somente algumas poucas críticas neutras quando de seu lançamento.


O esfacelado grupo resolveu iniciar uma turnê norte-americana. Apesar da admissão posterior de Clapton, de que a turnê ocorreu em meio a uma verdadeira orgia de drogas e álcool, aquilo acabou resultando em um poderoso álbum ao vivo, o “In Concert”. Mas o grupo se desintegraria pouco tempo depois em Londres, na véspera da gravação de seu segundo LP de estúdio. Embora Radle tenha continuado a trabalhar com Clapton por vários anos, a briga entre Eric e Bobby Whitlock foi aparentemente feia e eles nunca mais voltariam a tocar juntos. Outra trágica nota de rodapé para a história do Dominos foi o destino de seu baterista Jim Gordon, que sofria de esquizofrenia não-diagnosticada – anos depois, durante um surto psicótico, ele mataria a própria mãe a marretadas, sendo confinado em um hospício, onde permanece até hoje.
Apesar de seu sucesso, a vida pessoal de Clapton encontrava-se em estado deplorável. Além de sua paixão por Pattie Boyd-Harrison, ele parou de tocar e se apresentar e tornou-se viciado em heroína, o que resultou em um hiato em sua carreira. A única interrupção notável desse hiato foi sua participação no Concerto para Bangladesh - organizado por George Harrison - e, depois, pelo "Rainbow Concert", organizado por Pete Townshend do The Who para ajudar Clapton a largar as drogas.
Clapton devolveu a gentileza ao interpretar o "Pregador" na versão cinematográfica de Tommy em 1975; sua aparição no filme (tocando "Eyesight To The Blind") é notável pelo fato de ele estar claramente usando uma barba falsa em algumas sequências – o resultado de ele impensadamente raspar sua barba entre as gravações.
Relativamente limpo novamente, Clapton começou a organizar uma nova e forte banda, que incluía Radle, o guitarrista George Terry, o baterista Jamie Oldaker e as backing vocals Yvonne Elliman e Marcy Levy. Eles viajaram em turnê ao redor do mundo, posteriormente lançando o soberbo E.C. Was Here (1975).
Clapton lançou “461 Ocean Boulevard” em 1974, álbum mais enfatizado nas canções ao invés de sua técnica na guitarra. Sua versão de "I Shot The Sheriff" foi um grande sucesso, sendo importante ao apresentar o Reggae e a música de Bob Marley para um público mais extenso. Ele também promoveu o trabalho do cantor-compositor-guitarrista J.J.Cale.


Eric continuou a gravar e a fazer turnês regulares, mas a maioria de seu trabalho desta época foi deliberadamente mais calmo, fracassando em obter a mesma repercussão do início de sua carreira.
Em 1976, Clapton foi o centro de polêmicas devido a acusações de racismo, ao protestar contra a imigração crescente durante um show em Birmingham. Clapton disse que a Inglaterra estava "se tornando superpopulada" e implorou para que a platéia votasse em Enoch Powell para impedir que a Grã-Bretanha virasse uma "colônia negra". Seus comentários motivariam diretamente a criação do evento Rock Against Racism. Anos mais tarde, em sua autobiografia, Clapton afirma não se lembrar do episódio e cogita estar sob influência de drogas ou bebida durante a declaração, e defende-se dizendo que não faria sentido que fosse racista, afinal, todos os seus grandes ídolos eram negros. Nesta mesma época, seu nome começou a aparecer em álbuns lançados no Japão como "Eric Crapton" ("Crap" significa "fezes", em inglês), embora isso seja provavelmente mais um caso de "engrish" do que de malevolência.
O final dos anos 1970, Clapton estava com dificuldades de se acertar com a música popular, causando uma recaída no alcoolismo que o levou a ser hospitalizado e depois internado para um período de convalescença em Antígua, onde ele mais tarde apoiaria a criação de um centro de reabilitação existente até hoje, chamado Crossroads Center e, mais tarde, criou um evento chamado Crossroads Guitar Festival, que visava arrecadar dinheiro para contribuir com o tratamento dos dependentes de drogas. Em 1985, Clapton conheceu Yvone Khan Kelly, com quem ele começaria um relacionamento. Eles tiveram uma filha, Ruth, que nasceu no mesmo ano. Clapton se divorciaria de Yvone Khan Kelly em 1988.
No começo dos anos 1990, a tragédia voltaria a atormentar a vida de Clapton em duas ocasiões. No dia 27 de agosto de 1990 o guitarrista Stevie Ray Vaughan (que estava em turnê com Eric) e dois membros de sua equipe de apoio morreram em um acidente de helicóptero. No ano seguinte, em 20 de março de 1991, Conor, filho de quatro anos de Clapton com a modelo italiana Lori Del Santo, morreu depois de cair da janela de um apartamento. Um instantâneo da dor de Clapton pôde ser visto com a canção "Tears In Heaven", My Father's Eyes (Pilgrim, 1998) e Circus Left Town (Pilgrim, 1998).


Deste sentimento veio a inspiração para compor a canção “Tears in Heaven” (“Lágrimas no Paraíso”, em português), apresentada pela primeira vez ao público em seu acústico, o “Unplugged”, lançado no segundo ano da década de 1990. Além de seu maior sucesso comercial, Clapton destila muito Blues neste ao vivo.
O disco ao vivo abre com uma composição de Eric Clapton chamada “Signe”, um Bues muito regravado, inclusive pelo Creedence Clearwater Revival no álbum “Cosmo’s Factory”, chamado “Before You Accuse Me”, composição de Eugene McDaniels, mais conhecido como Bo Diddley. O ritmo preferido de Clapton permanece em “Hey Hey”, de Big Bill Broonzy. Este tipo de música tem uma qualidade acima da média, com um dedilhado de violão bem trabalhado.
A canção mais famosa do cantor é “Tears In Heaven”. Uma balada romântica com uma letra triste, que define bem o momento em que Eric Clapton estava passando. Ele canta: “I must be strong and carry on, cause I know I don’t belong here in Heaven” (Eu tenho que ser forte e continuar, pois eu sei que eu não pertenço aqui ao Paraíso). Clapton não se perdoava pelo fato de não ter sido um pai tão bom quanto podia, pois passara por recaídas com seus problemas com drogas.
Foto: www.lastfm.com.br
Em mais uma composição sua, “Lonely Stranger”, mostra a sua habilidade em fazer belas e calmas canções de descanso. Ainda mais com sua voz aveludada cantando as letras. Em continuação ao Blues, Clapton é acompanhado por um piano em “Nobody Knows You When You’re Down & Out”, de Jimmy Cox. Esta faixa também ganhou versões de Rod Stewart, Janis Joplin, BB King e John Lennon. O som é próximo ao que Sting fez em sua carreira solo.
Outro grande clássico de Eric Clapton, “Layla” aparece aqui em uma versão bem diferente da original. Em vez da habitual grandiosidade de guitarras, surge um clima calmo baseado em violão, com um vocal suave e a bateria bem mais maneirada. Uma canção bem lenta, com slides em uma guitarra acústica, “Running On Faith”, de Jerry Lynn Williams, faz o cantor abrir o coração: “Then we’d go running on faith. All our dreams would come true” (Então seguiríamos com fé. Todos os nossos sonhos poderiam se tornar verdade).
Clapton toca uma grande canção de blues em “Walkin’ Blues”, de Robert Johnson, um dos mais influentes instrumentistas do ritmo que definiu uma das raízes do Blues moderno e do Rock N` Roll. Em “Alberta”, Eric Clapton canta uma canção tradicional com arranjo de Huddi Ledbetter, mais uma seminal lenda deste som tão adorado pelo responsável por este “Unplugged”.
Eric Clapton continua sua saga pelas raízes do Blues ao tocar “San Francisco Bay Blues”, de Jesse Fuller. Da mesma forma, o guitarrista volta a apresentar mais uma faixa de Robert Johnson: “Malted Milk”. O ouvinte percebe que já ouviu esses sons de Blues em algum lugar. Pois eles formam a base de tudo que foi feito depois. Robert Johnson teve curta carreira de 1936 a 1938.
Clapton utiliza o riff de “Sunshine Of Your Love”, de sua autoria, no começo de “Old Love”, alguns da platéia se animam e aplaudem pensando ser a canção mais famosa, mas aquela ficou realmente de fora deste "Unplugged". Se bem que "Old Love" não deixa de ser uma bela canção. Eric Clapton fecha este especial em grande estilo. Com um som blueseiro e animado, ele canta "Rollin' & Tumblin'", clássico composto por McKinley Morganfield, mais conhecido como Muddy Water, gravado por diversos astros como Bob Dylan e Jeff Beck.
Em seu "Unplugged", Eric Clapton fugiu das fórmulas fáceis com os sucessos garantidos e tocou o que queria: Blues da mais alta qualidade. Assim, o disco ganhou três prêmios no Grammy de 1993 por Álbum do Ano, Melhor Vocal Masculino de Rock e Melhor Canção de Rock, e entrou ainda em 71º na lista dos 100 Grandes Álbuns Britânicos da Q Magazine em 2000, pois foi gravado na Inglaterra.

Assim como MTV Unplugged , seu álbum From The Cradle trazia várias versões de antigos sucessos do Blues, dando destaque a seu estilo econômico no violão. Em 1997, ele gravou um álbum de música eletrônica sob o pseudônimo de TDF, Retail Therapy, terminando o século XX com aclamadas parcerias com Carlos Santana e B. B. King.
Em 1999, Clapton, então com 56 anos, conheceu a artista gráfica Melia McEnery,  em Los Angeles enquanto trabalhava em um álbum com B. B. King. Eles se casaram em 2002 e tiveram três filhas, Julia Rose (2001), Ella May (2003) e Sophie, nascida em 2005.
Tão conhecido quanto Clapton é o seu costume de usar uma variedade de guitarras. No começo de sua carreira, ele usava uma Gibson Les Paul do final dos anos 1970, sendo parcialmente responsável pela reintrodução do estilo original da Les Paul pela Gibson.
Foto: www.collectorsroom.com.br
Mais tarde, Clapton começou a usar Stratocasters da Fender. A mais famosa de todas as suas guitarras foi Blackie, montada com pedaços de várias Strats e que ele usou até os anos 1990, Depois, por medo de danificá-la, guardou em casa e não a levou mais aos palcos. Por fim, Clapton se desfez da "Blackie" por U$959,500 no leilão organizado pela Christie's de Nova York, em benefício do centro de reabilitação Crossroads.
Em 1988, Clapton foi honrado pela fábrica de guitarras Fender com a introdução de uma Stratocaster feita sob medida para ele, juntamente com Yngwie Malmsteen. Aquelas foram as primeiras guitarras modeladas para artistas na famosa série "Signature" da Stratocaster, que desde então incluiu modelos para Jeff Beck, Buddy Guy e Stevie Ray Vaughan, entre outros.
Em 1999, Clapton levou a leilão parte de sua coleção de guitarras para levantar fundos para o Crossroads, centro de reabilitação para viciados que ele fundou na Antígua, em 1997. O montante total conseguido no leilão pela Christie’s foi de U$7,438,624.
Clapton voltou ao estúdio gravando seu próximo projeto solo e "Reptiple" foi lançado em Março de 2001. No final de 2002, ele começou a gravar um novo álbum de estúdio. Trabalho continuou durante o verão de 2003 e foi gravado material suficiente para dois álbuns. Além de novo material solo, Eric gravou covers de canções de Robert Johnson durante essas sessões. As músicas de Johnson foram agregadas e em março de 2004 foi lançado o álbum de tributo: Me and Mr. Johnson. Em 3 de novembro do mesmo ano, Clapton é condecorado com o título de Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE).
Em 2005, Eric também revisitou o passado. Ele, Ginger Baker e Jack Bruce reuniram o Cream para quatro shows reunião muito especiais no Royal Albert Hall de Londres. Em outubro de 2005, o trio realizou três shows adicionais no Garden Madison Square. Os shows em Londres foram lançados em CD e DVD no final de 2005.
Em outubro de 2007, seu livro autobiográfico ("Clapton: the autobiography"), foi publicado. Ele foi editado em 12 idiomas.
Agora em 2013 lançou o seu mais novo álbum de estúdio entitulado "Old Sock", elaborado em cima das raízes sonoras que escuta desde a infância e que influenciaram as guitarras que tocou com os Yardbirds, o Cream e sozinho. Com dez covers e apenas duas faixas inéditas "Gotta Get Over" e "Every Little Thing", ele toca um pouco de tudo, Reggae, Folk, Southern Rock, Blues e Jazz (em breve no post Novidade).


Eric também contribuiu para álbuns de vários artistas ao longo das décadas. A sessão mais conhecida ocorreu em setembro de 1968, quando ele acrescentou guitarra para composição de George Harrison, "While My Guitar Gently Weeps." É no álbum, The Beatles (mais conhecido como "The White Album"). Ele também pode ser ouvido em álbuns de Aretha Franklin, Stills Steven, Bob Dylan, Elton John, Plastic Ono Band (John Lennon e Yoko Ono), Ringo Starr, Sting e Roger Waters.
Enfim, Eric Clapton continua sendo único, principalmente por não replicar os riffs de Blues que ouviu nos registros, mas sim incorporar a emoção das performances originais em seu próprio estilo de tocar, ampliando o vocabulário da guitarra, e por isso recebeu o apelido de “Deus”.
Eric Clapton tem uma grande discografia: são 58 álbuns em 50 anos de carreira, solo e com as bandas Yardbirds (que depois originaria o Led Zeppelin), Bluesbreakers, Cream, Blind Faith e Derek and the Dominoes, sem contar as participações. Com tantos discos, são vários os sucessos, dos quais alguns são memoráveis.

Discografia
1963 Sonny Boy Williamson and The Yardbirds (com Yardbirds)
1964 Five Live Yardbirds (com Yardbirds)
1965 For your love (com Yardbirds - coletânea americana)
1965 Having a Rave Up (com Yardbirds - coletânea americana)
1966 Blues Breakers with Eric Clapton (com John Mayall and The Bluesbreakers)
1966 Fresh Cream (com Cream)
1967 Disraeli Gears (com Cream)
1968 Wheels of Fire (com Cream)
1969 Goodbye Cream (com Cream)
1969 Blind Faith (com Blind Faith)
1969 Best of Cream (com Cream - coletânea)
1970 On Tour with Eric Clapton (com Delaney, Bonnie & Friends)
1970 Live Cream (com Cream - coletânea ao vivo)
1970 Eric Clapton
1970 Layla and Other Assorted Love Songs (com Derek and the Dominos)
1971 The Yardbirds Featuring Performances by: Jeff Beck, Eric Clapton, and Jimmy Page (com Yardbirds - coletânea)
1972 Live Cream Volume II (com Cream - coletânea ao vivo)
1972 Heavy Cream (com Cream - coletânea)
1972 History of Eric Clapton (coletânea)
1972 Eric Clapton at His Best (coletânea)
1973 In Concert (com Derek and the Dominos) (ao vivo em 1970)
1973 Clapton (coletânea)
1973 Eric Clapton's Rainbow Concert (ao vivo em 1972)
1974 461 Ocean Boulevard
1975 There's One in Every Crowd
1975 E.C. Was Here (ao vivo)
1976 No Reason to Cry
1977 Slowhand
1978 Backless
1980 Just One Night (duplo; ao vivo em 1979)
1981 Another Ticket
1982 Time Pieces: Best Of Eric Clapton (1970-1978)
1983 Money and Cigarettes
1984 Too Much Monkey Business
1984 Backtrackin'
1985 Behind the Sun
1986 August
1987 The Cream of Eric Clapton
1987 Time Pieces: Best Of Eric Clapton Vol II
1988 Crossroads (box set)
1989 Homeboy
1989 Journeyman
1990 The Layla Sessions (com Derek and the Dominos) (caixa em comemoração aos 20 anos de lançamento)
1991 24 Nights (ao vivo em 1990)
1992 Rush
1992 Unplugged (ao vivo)
1994 From the Cradle
1994 Live at the Fillmore (com Derek and the Dominos) (ao vivo em 1973)
1995 The Cream of Clapton
1996 Crossroads 2: Live in the Seventies (CD quádruplo, gravações ao vivo de 1974 a 1978)
1997 From the Cradle
1998 Pilgrim
1999 The Blues (álbum duplo)
1999 Clapton Chronicles: The Best of Eric Clapton
2000 Riding With the King (com B.B. King)
2001 Reptile
2002 One More Car, One More Rider (ao vivo em 2001)
2004 Me and Mr. Johnson (versões de músicas de Robert Johnson)
2005 Back Home
2007 Complete Clapton
2009 Eric Clapton and Steve Winwood (Live from Madison Square Garden)
2010 Clapton
2011 Marsalis & Clapton play the Blues (Live from Jazz At Lincoln Center)
2013 Old Sock

Músicas - Unplugged (1992)
Unplugged (1992) - Eric Clapton by Diego Kloss on Grooveshark
Side One
"Signe" (Eric Clapton) – 3:13
"Before You Accuse Me" (Ellas McDaniel) – 3:36
"Hey Hey" (Big Bill Broonzy) – 3:24
"Tears in Heaven" (Clapton, Will Jennings) – 4:34
"Lonely Stranger" (Clapton) – 5:28
"Nobody Knows You When You're Down and Out" (Jimmy Cox) – 3:49
"Layla" (Clapton, Jim Gordon) – 4:46

Side Two
"Running on Faith" (Jerry Lynn Williams) – 6:35
"Walkin' Blues" (Robert Johnson) – 3:37
"Alberta" (Traditional) – 3:42
"San Francisco Bay Blues" (Jesse Fuller) – 3:23
"Malted Milk" (Robert Johnson) – 3:36
"Old Love" (Clapton, Robert Cray) – 7:53
"Rollin' and Tumblin'" (Muddy Waters) – 4:10

Fotos do vinis
Foto: Diego Kloss
Foto: Diego Kloss
Foto: Diego Kloss
Foto: Diego Kloss
Foto: Diego Kloss
Foto: Diego Kloss
Foto: Diego Kloss
Fonte: www.ericclapton.com (texto traduzido e adaptado)

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